CDI: Por Que Entender é importante para Investir Melhor
Quando você abre a página de investimentos de um banco ou corretora, com frequência verá algo como “CDB pós-fixado a 110% do CDI” ou “fundo de renda fixa atrelado ao CDI”. Mesmo que não pareça, esse pequeno índice — o CDI — está por trás de grandes decisões de quem busca fazer o dinheiro render no Brasil. Entender o que ele é, como se comporta e como utilizá-lo de forma inteligente pode fazer diferença entre render um pouco e render muito mais.
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O que é o CDI e por que ele importa
O CDI (Certificado de Depósito Interbancário) é, simplificando, a taxa média pela qual bancos emprestam dinheiro entre si — operações de curtíssimo prazo, geralmente de um dia. Esse índice serve como referência para boa parte das aplicações de renda fixa do mercado brasileiro.
Por que isso importa para você, investidor? Porque muitos produtos financeiros de renda fixa usam o CDI como “referência” ou “benchmark” um percentual do CDI, significa que o rendimento do produto será uma certa fração ou múltiplo desse índice. Quanto maior for esse “X% do CDI”, melhor tende a ser o retorno (considerando risco, liquidez e custos).
Relação entre Selic e CDI
A taxa Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Banco Central do Brasil. Como efeito, o CDI costuma acompanhar de perto essa taxa. Na prática: quando a Selic está alta, o CDI também sobe; quando a Selic cai, o CDI tende a reduzir.
Por exemplo: em 2025, a Selic está em cerca de 15% ao ano. Já o CDI diário está próximo de 14,9% ao ano.
Portanto, quando você vê um título ou fundo de investimento dizendo “rendimento de 110% do CDI”, isso significa que ele renderá cerca de 10% mais que a taxa normal do CDI (antes de impostos e taxas). Esse tipo de cálculo é importante para comparar cenários.

Como o CDI é usado em investimentos
Vamos ver na prática onde o CDI aparece:
- CDBs pós-fixados: muitos bancos oferecem CDBs que pagam “100% do CDI”, “110% do CDI”, etc.
- Fundos de renda fixa: frequentemente usam o CDI como índice de referência, com meta de superar ou acompanhar o CDI.
- LCs/LCIs/LCAs e outros títulos de crédito: alguns pagam rendimento atrelado ao CDI ou ao CDI + um percentual extra.
Exemplo prático: suponha que você invista R$ 10.000,00 em um CDB que paga 105% do CDI. Com CDI ≈ 14,9% ao ano, 105% × 14,9% = ~15,645% ao ano antes de impostos. Se mantiver por um ano, esse rendimento lhe daria cerca de R$ 1.564,50 (sem considerar imposto de renda ou taxas).
Comparação: outro CDB que paga apenas “90% do CDI” renderia ~13,41% ao ano, ou R$ 1.341,00 nesse mesmo capital. A diferença para você: R$ 223,50 no primeiro ano — parece pouco? Mas no longo prazo, com juros compostos, isso se torna relevante.
Veja também: Investir é para Todos: Por Que Você Deve Começar Agora
Cuidados ao investir com base no CDI
Só por pagar percentual do CDI não significa que o investimento seja perfeito. Veja o que observar:
1. Liquidez
Alguns títulos atrelados ao CDI exigem que você mantenha o capital investido por determinado prazo, sob pena de rendimento menor ou resgate com perda. Antes de aplicar, verifique se o investimento tem liquidez diária ou se está travado por um prazo.
2. Imposto de Renda e taxas de administração
Mesmo rendimentos bons podem ser corroídos por impostos ou taxas. No Brasil, o imposto de renda em aplicações de renda fixa segue alíquota regressiva — mais tempo de aplicação, menor o percentual de IR.
Exemplo: se o rendimento bruto for 15,645% ao ano (no exemplo acima) mas a alíquota de IR for 15% (no caso de mais de 720 dias), o rendimento líquido será cerca de 13,30% ao ano. Além disso, se o fundo ou título desconta taxas de administração, o resultado líquido cai ainda mais.
3. Risco de crédito e instituição financeira
Apesar de muitos investimentos atrelados ao CDI serem considerados “renda fixa”, há variações de risco conforme o emissor ou gestor. Verifique se o produto tem garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) ou se pertence a instituição sólida.
4. Meta de investimento vs. benchmark
Se o produto promete “120% do CDI” mas cobra 2% de taxa de administração e exige prazo mínimo de 2 anos, a vantagem sobre outro que paga “100% do CDI” pode não compensar. Sempre compare rendimento líquido, prazo e exigências.

Exemplos práticos para comparação
Imagine dois produtos de renda fixa:
- Produto A: rende 100% do CDI, liquidez diária, taxa de administração 0%.
- Produto B: rende 110% do CDI, liquidez somente após 12 meses, taxa de administração 1% ao ano.
Com CDI ~14,9% ao ano:
- Produto A bruto ≈ 14,9% ao ano; líquido após IR 15% ≈ 12,6%
- Produto B bruto ≈ 16,39% ao ano; taxa 1% reduz para ~15,39%; após IR 15% ≈ ~13,08%
Resultado: a vantagem do Produto B sobre o A é ≈ 0,48 ponto percentual/ano — não gigante. Dependendo da liquidez, pode não valer a “espera”.
Quando o CDI deixa de ser boa referência
Se a Selic cair ou houver cortes de juros, o CDI tende a acompanhar. Em cenários de juros mais baixos, aplicações que pagam “% do CDI” podem render pouco. Além disso, se a inflação continuar alta, mesmo bons rendimentos podem não superar o poder de compra. Por isso, investir com conhecimento da macroeconomia importa.
Como colocar em prática no seu próximo investimento
Passo a passo:
- Verifique o valor atual do CDI (pode buscar no site da B3 ou em portais financeiros).
- Compare produtos que pagam “% do CDI”, verifique taxa de administração e liquidez.
- Simule rendimento líquido (já descontando IR) para entender ganho real.
- Verifique se o prazo e condições se encaixam no seu perfil — se você pode deixar o dinheiro “investido” ou vai precisar resgatar antes.
- Aposte no CDI como referência, mas avalie também alternativas (tesouro Selic, fundos multimercado conservadores) se quiser buscar melhor rendimento.
Conclusão
O CDI é muito mais do que uma sigla difícil: ele é um dos pilares da renda fixa brasileira e uma ferramenta essencial para entender o mercado financeiro. Saber como funciona, como se relaciona com a Selic, como é usado em produtos de investimento e quais cuidados tomar faz diferença para você investir com consciência.
Quando você compara cenários, analisa custos e prazo, e usa o CDI como base, melhora significativamente suas chances de construir patrimônio com segurança — em vez de simplesmente “apostar” sem entender.
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